Resposta curta
Segundo o relatório 2026 de vídeo digital do IAB, publicado em julho, 62% dos compradores de mídia nos EUA usam IA generativa para criar ou ajustar anúncios em vídeo, contra 51% em 2025. Entre eles, cerca de um terço dos anúncios passa por IA. O dado mede uso em algum ponto do processo; segundo o IAB, a vantagem está em quem tem fluxo e aprovação.
Em resumo
- 62% dos compradores de vídeo nos EUA usam IA generativa nos criativos, contra 51% em 2025.
- Entre quem usa, um terço dos anúncios de vídeo passa por IA em 2026.
- A pesquisa conta produzir ou ajustar: uma legenda ou um roteiro com IA já entram no número.
- Marcas grandes estão na frente por terem fluxo e aprovação estruturados, segundo o próprio IAB.
O que a pesquisa do IAB mostra sobre IA em anúncios de vídeo?
"Vou começar a dieta" não é a mesma coisa que "estou de dieta". O IAB publicou em 14 de julho de 2026 o relatório anual sobre investimento e estratégia em vídeo digital nos Estados Unidos. A parte sobre IA generativa traz três números que resumem o momento: mais compradores usando, mais anúncios passando por IA e uma expectativa de crescimento para o ano que vem.
dos compradores usam IA generativa para criar ou melhorar anúncios em vídeo (51% em 2025)
dos anúncios de vídeo desses compradores usam IA generativa em 2026 (24% em 2025)
é a fatia projetada por eles para 2027
Em 2025, o mesmo relatório tinha chamado atenção com outro número: 86% dos compradores usavam ou planejavam usar IA generativa para criar anúncios em vídeo. O dado de 2026 é mais útil porque mede o uso atual, não a intenção.
O que conta como "usar IA" nessa pesquisa?
Dizer que um vídeo foi "editado" pode querer dizer um pequeno corte no final ou a refação inteira da peça. É mais ou menos o que acontece com a palavra "usar IA" nessa pesquisa. A pergunta do IAB é sobre a porcentagem dos criativos "produzidos ou ajustados" com ferramentas de IA generativa. E a definição de IA generativa usada inclui desde geradores de vídeo como Veo, Sora e Runway até assistentes de texto como ChatGPT e Gemini.
Ou seja: um anúncio filmado com equipe, elenco e locação, cujo roteiro foi revisado com um assistente de texto ou cujas legendas foram geradas automaticamente, pode entrar na conta. Um anúncio inteiramente gerado também. O número junta coisas muito diferentes.
Pesquisa, roteiro, organização de texto, legendas.
Limpeza, extensão de cena, formatos, versões.
Fundos, cenários, objetos ou planos gerados dentro de uma peça filmada.
Anúncio feito do começo ao fim com IA, sem captação.
Na Tangram, a IA atravessa as quatro camadas, conforme o projeto: é apoio em pesquisa, referência e roteiro; ajuste nas versões, na pós e na localização; elemento gerado quando um cenário ou um plano pede; e peça gerada quando essa é a ideia e a marca está de acordo. O que decide a camada é a peça, não a ferramenta — e a direção é sempre humana.
Por que as marcas grandes estão usando mais IA?
Em 2025, o uso era parecido entre empresas de portes diferentes. Em 2026, os grandes compradores se descolaram: sete em cada dez usam IA generativa para melhorar anúncios em vídeo, contra pouco mais da metade dos menores.
A explicação do próprio IAB é o dado mais interessante do relatório: a diferença provavelmente reflete os fluxos de trabalho e os processos de aprovação mais estabelecidos das organizações maiores, que conseguem adaptar, reaproveitar e escalar criativos. Não é quem tem a ferramenta; é quem tem processo para usá-la.
Quem está na frente não é quem tem a ferramenta. É quem tem processo para usá-la.
As plataformas contam a mesma história em escala. A Meta disse a investidores que mais de 8 milhões de anunciantes usavam ao menos uma de suas ferramentas de criativo com IA generativa no primeiro trimestre de 2026, e que anunciantes usando a geração de vídeo tiveram, em testes, taxa de conversão mais de 3% maior.
Usar IA num ponto da produção é o mesmo que gerar a peça inteira?
Não, e as duas coisas têm lugar. A diferença aparece bem num vídeo de produto. Quando uma marca lança algo que as pessoas nunca viram, aquele filme é o primeiro contato do público com o produto. Usar IA nesse processo é gerar um animatic para aprovar o roteiro, estender o fundo de um plano ou criar as versões curtas. Gerar a peça inteira é outra decisão, com outros riscos — e cabe à direção tomá-la.
| Marca e peça | O papel da IA | O que ficou com pessoas | O que aconteceu |
|---|---|---|---|
| Coca-Cola · "Holidays Are Coming" (nov/2025) | Versões do filme de Natal feitas com os estúdios Secret Level e Silverside AI | Direção criativa; música gravada por artistas reais | Segundo ano seguido de IA no filme de Natal da marca |
| McDonald’s Holanda · filme de Natal (dez/2025) | Filme gerado com IA generativa | Dez pessoas por cinco semanas, segundo a produtora | Retirado do ar três dias depois, após críticas nas redes |
| Svedka · Super Bowl (fev/2026) | Comercial "principalmente" gerado por IA, com a Silverside | Roteiro e história | Apontado pelo TechCrunch como aposta ousada numa vitrine de alto orçamento |
- Animatic gerado para aprovar o roteiro antes da diária
- Fundo estendido para o formato vertical
- Legendas e versões curtas mais rápidas
- Produto, pessoas e direção continuam reais
- Vídeo gerado a partir de roteiro, referências e texto
- Produto recriado pela ferramenta a partir do real
- Pessoas geradas ou avatares, com as regras de rosto e voz
- Aprovação com checklist próprio de IA
Os cases mostram que a ferramenta não decide o resultado. A mesma técnica rendeu a uma marca a continuidade de uma tradição e a outra um filme tirado do ar. O que muda é a ideia, a leitura do público e a governança em volta. A peça inteira gerada tem espaço — em testes, em peças de vida curta e em ideias que nascem da própria linguagem da IA; no filme que apresenta um produto, o produto real e a direção pesam mais. Para ver onde cada uso cabe, leia IA na produção audiovisual.
Nos nossos projetos, os dois desenhos aparecem. No filme imersivo da BAT Brasil, a IA animou o acervo histórico e gerou as imagens do futuro, enquanto o presente foi captado em campo. No filme da Tramontina Eletrik, a IA criou uma única sequência — o túnel de energia dentro do interruptor Onne — num filme todo captado em fábrica e casa reais. Em nenhum dos dois a ferramenta decidiu o que entrava: a ideia e o roteiro vieram antes.
O que esse dado significa para marcas no Brasil?
É como medir a temperatura em Nova York e assumir que é a mesma daqui. Primeiro, cuidado com a transposição: a pesquisa é sobre compradores de mídia nos EUA, e o mercado brasileiro tem outro tamanho, outros custos de produção e outra estrutura de agências. O número não deve ser citado como se fosse daqui.
Segundo, a direção vale. As plataformas que as marcas brasileiras usam já trazem IA embutida — o Google Ads, por exemplo, passou a gerar versões de vídeo com IA e a criar imagens no Asset Studio. Mesmo quem não escolhe usar IA vai ter IA agindo sobre as suas peças.
O que ainda trava o uso de IA em anúncios de vídeo?
Todo escritório já recebeu uma ferramenta que ia mudar tudo e ninguém sabia onde encaixar. Entre os compradores menores, 96% dizem não estar satisfeitos com o nível atual de uso de IA generativa na produção de criativos. E o topo da lista do que pedem não é ferramenta nova.
A leitura é coerente com o resto da pesquisa. A barreira não é acesso; é saber se funciona e conseguir encaixar no processo. É o lugar de onde escrevemos: numa operação de conteúdo, a IA rende quando entra num sistema que já tem briefing claro, sistema visual, fluxo de aprovação e registro — e quando a direção sabe em que camada usá-la.
Perguntas frequentes
Quantos anunciantes usam IA em anúncios de vídeo?
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Segundo o relatório 2026 de vídeo digital do IAB, 62% dos compradores de mídia de vídeo nos EUA usam IA generativa para criar ou melhorar anúncios em vídeo, contra 51% em 2025.
De onde vem o dado de 86% de anunciantes usando IA em vídeo?
+
É do relatório de 2025 do IAB, publicado em julho de 2025, e mede quem usava ou planejava usar IA generativa em anúncios de vídeo. O relatório de 2026 mede o uso atual: 62%.
Usar IA num anúncio significa que ele foi gerado por IA?
+
Nem sempre. A pesquisa do IAB considera criativos produzidos ou ajustados com IA, o que inclui desde roteiro e legendas até peças inteiramente geradas.
O dado do IAB vale para o Brasil?
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Não diretamente. A pesquisa ouviu 360 decisores de mídia nos EUA. Ela indica uma direção de mercado, mas não deve ser citada como retrato do mercado brasileiro.
Fontes
- IAB — 2026 Digital Video Ad Spend & Strategy Report (14/07/2026) · 14.07.2026
- IAB — Business Outcomes Are Just the Beginning (release do relatório 2026) · 14.07.2026
- IAB — Nearly 90% of Advertisers will Use Gen AI to Build Video Ads (relatório 2025) · 15.07.2025
- Meta — First Quarter 2026 Results Conference Call (transcrição, 29/04/2026) · 29.04.2026
- Meta — Second Quarter 2026 Results Conference Call (transcrição, 29/07/2026) · 29.07.2026
- The Coca-Cola Company — Coca-Cola Refreshes Givers of the Season, Embraces AI-Powered Storytelling in Global Holiday Campaign · 03.11.2025
- NBC News — McDonald’s pulls AI-generated Christmas ad after social media backlash · 10.12.2025
- TechCrunch — From Svedka to Anthropic, brands make bold plays with AI in Super Bowl ads · 08.02.2026



