Resposta curta
Antes de publicar uma peça feita com IA, uma operação responsável confere seis pontos: se os termos da ferramenta permitem uso comercial e se os materiais de entrada eram seus; se há rosto ou voz de alguém real; se surgiram marcas de terceiros; se produto, mãos e texto estão corretos; se o processo ficou registrado; e se a peça precisa informar o uso de IA.
Em resumo
- Quem usa IA na produção sabe: ela erra de forma plausível, e a lista escrita faz o trabalho até o olho aprender.
- Direitos começam na entrada: fotos, referências e vozes usadas para gerar também contam.
- Produto, mãos, olhos e texto na imagem são os pontos que mais reprovam.
- Registrar quem gerou, com o quê e quem aprovou é o que protege a marca depois.
Por que uma peça feita com IA precisa de outra aprovação?
Na Tangram, a IA é uma aceleradora de etapas e entra onde faz sentido em cada projeto: pesquisa e referência, roteiro, pré-visualização, extensão de cenário, versões, pós, localização e, quando esse é o propósito, geração de imagem, de cena ou da peça inteira. É justamente por usar que a aprovação ganhou uma lista própria — com revisão de continuidade plano a plano e arquivo das gerações aprovadas junto com o projeto. A IA erra de um jeito diferente do set.
Numa filmagem, os erros são conhecidos: foco, som, continuidade, um produto fora de posição. É como o defeito de um prato que chega frio: o cliente percebe de longe. Com imagem gerada, a ferramenta cria elementos que ninguém pediu — um objeto no fundo, um dedo a mais, uma letra que parece palavra — com o mesmo acabamento do resto do quadro. O defeito é plausível, e por isso passa. O olho aprende a ver com o uso; até lá, e mesmo depois, a lista escrita faz o trabalho.
A exigência também muda com a tela. Telão e TV mostram o que o celular esconde, e nas redes as pessoas dão zoom. E o risco não está só no quadro: em dezembro de 2025, o McDonald’s da Holanda tirou do ar em três dias um filme de Natal feito com IA generativa, depois de uma onda de críticas. Segundo a produtora, foram dez pessoas trabalhando cinco semanas em tempo integral. Esforço não faltou; a reação foi à ideia e à forma como o público a leu. Por isso o nosso checklist começa e termina em perguntas de direção, não de pixel.
A IA não erra como o set. Ela erra de um jeito que parece certo.
Quem tem direito sobre o que foi gerado?
Antes de comprar uma roupa de segunda mão, importa saber de onde ela veio, não só como ela é. Antes de gerar qualquer coisa com IA, a primeira pergunta também não é sobre a imagem, é sobre o caminho até ela. Cada ferramenta tem termos próprios sobre uso comercial, titularidade do resultado e uso dos dados enviados. Os termos mudam, e planos diferentes da mesma ferramenta podem ter regras diferentes.
Depois vem a entrada. Se a imagem foi gerada a partir de fotos, referências, trilhas ou vozes, cada um desses materiais precisa ter origem conhecida. Uma foto de banco de imagem licenciada para uso editorial, usada como referência para gerar uma peça publicitária, pode ser um problema mesmo que ela não apareça no resultado final.
O lado jurídico tem mais camadas; ele está em direitos autorais de conteúdo gerado por IA.
Pode usar rosto ou voz parecidos com os de alguém?
Gerar ou alterar pessoa real sem autorização expressa para aquele uso é o risco mais sério da lista. Isso vale para rosto, voz e também para o jeito de falar de alguém conhecido. A autorização precisa dizer o que será feito, em quais peças, por quanto tempo e em quais mídias — como qualquer contrato de uso de imagem, com a diferença de que a pessoa não esteve no set.
Existe ainda a semelhança acidental. Um rosto gerado do zero pode lembrar demais um ator, uma influenciadora ou alguém do próprio time do cliente. Vale mostrar os rostos gerados a mais de uma pessoa antes de aprovar e trocar qualquer um que desperte um "parece fulano".
Na voz, o cuidado é o mesmo. Uma locução sintética que imita um locutor conhecido, ainda que sem citar o nome, está pedindo para dar problema.
E ficou mais fácil ser encontrado. Em abril de 2026, o YouTube estendeu a agências de talentos e às celebridades que elas representam — mesmo sem canal na plataforma — a sua detecção de semelhança, que procura conteúdo gerado por IA com o rosto de uma pessoa e permite pedir a remoção. Um rosto "parecido demais" deixou de ser risco teórico.
O que olhar na imagem, quadro a quadro?
Quem faz a mala de cabeça sempre esquece alguma coisa; quem usa lista, não. Na revisão de imagem, uma ordem fixa ajuda a não pular nada. As mãos vêm primeiro, porque é onde a ferramenta mais erra: dedos a mais, a menos, fundidos com o objeto. Depois os olhos, que às vezes saem de tamanhos diferentes. Depois o cabelo, que pode misturar estilos, e então as proporções do corpo. Só aí o produto, o texto e o fundo.
123- 1Direçãomãos
Contar os dedos da mão no rosto.
- 2Marcarótulo
Rótulo igual à embalagem aprovada?
- 3Pósfundo
Fundo sem logo nem letra inventada.
Resolvido
| Item | O que conferir | Por que reprova |
|---|---|---|
| Mãos | Número de dedos, encaixe com objetos | É o erro mais comum e o mais visível |
| Rosto | Olhos, dentes, orelhas, simetria | Rosto estranho derruba a peça inteira |
| Produto | Rótulo, cor, proporção, tampa, textura | Produto errado não passa em nenhuma marca |
| Texto na imagem | Letras inventadas, grafia, idioma | Texto falso parece erro de revisão |
| Fundo | Logotipos, placas, marcas de terceiros | Risco jurídico e de associação indevida |
| Continuidade | Mesmo rosto, roupa e luz entre planos | Série de peças que não parece a mesma |
Marca de terceiros merece um olhar separado. Ferramentas treinadas com milhões de imagens reproduzem formas de embalagens conhecidas, camisas de time, fachadas e personagens. Nem sempre aparece o logotipo; às vezes é só a silhueta de uma garrafa famosa na mesa do fundo.
O que precisa ficar registrado?
Quem abre uma pasta antiga e não lembra de onde veio um arquivo conhece o problema. A regra de governança é simples: se alguém perguntar daqui a dois anos como aquela peça foi feita, alguém precisa conseguir responder. Quem usou IA, em qual etapa, com qual ferramenta, a partir de quais materiais e quem aprovou.
Numa operação que usa IA em escala, esse registro não pode depender da memória de ninguém. Ele vive junto com a peça, como vive o material bruto de uma diária. E tende a virar a prova de que o trabalho foi honesto quando as regras ficarem mais claras.
- Peça
- Brisa · sérum · feed 4:5
- Etapa com IA
- Cenário e extensão de fundo
- Ferramenta e plano
- Gerador de imagem · plano empresarial
- Materiais de entrada
- Foto de produto da marca (still do set)
- Pessoas reais
- Nenhuma
- Quem gerou
- faltando
- Quem aprovou
- faltando
- Aviso de IA na peça
- Não se aplica · decisão do jurídico
Quando avisar que a peça usou IA?
Ninguém espera um aviso por corrigir a cor de uma foto. Mas fazer uma pessoa real dizer o que não disse é outra história, e as regras de plataforma já pedem isso. Não existe uma resposta única, mas o YouTube, por exemplo, pede que criadores informem quando usam IA para alterar ou gerar de forma significativa conteúdo realista — como fazer uma pessoa real parecer dizer o que não disse ou mostrar uma cena realista que não aconteceu. Ajustes menores, como correção de cor, e usos de apoio, como roteiro, ficam de fora.
As plataformas também identificam sozinhas. O Asset Studio do Google Ads aplica o SynthID, marca d’água digital que permite verificar se a imagem foi gerada ou editada com IA do Google. O TikTok informou em novembro de 2025 ter rotulado mais de 1,3 bilhão de vídeos como gerados por IA, lendo, entre outros sinais, as Content Credentials (padrão C2PA) gravadas no arquivo. Mesmo que a peça não avise, o arquivo pode avisar.
Por isso a nossa posição é falar do assunto no começo. A decisão de informar é da marca, por escrito, com o jurídico, antes do projeto; e dizer abertamente ao cliente em quais etapas a IA entra — "aqui, no fundo e nas versões" — gera menos atrito do que ser descoberto depois. O cenário regulatório está em regulação de IA no marketing.
Quem deve assinar a aprovação de uma peça com IA?
Pense num restaurante bom: o cozinheiro confere o prato, o garçom confere a apresentação, o maître confere se é o pedido certo daquela mesa. Se só um deles decidisse, algo escaparia. Com IA acontece o mesmo: pessoas aprovam, mais de uma, cada uma olhando uma coisa. A IA gera; a aprovação é humana. A Coca-Cola, que fez com IA generativa versões do seu filme de Natal em 2024 e 2025, descreve a divisão do mesmo jeito: ambição criativa e direção são lideradas por pessoas, e a IA potencializa a execução e a produção. Na prática, a direção responde pela imagem e pela ideia. A pós responde pelo quadro a quadro. A marca responde pelo produto. O jurídico responde por direitos, rosto, voz e transparência. Quando uma pessoa só aprova tudo, algum desses olhares falta.
- 01Direção
A imagem comunica a ideia do briefing?
- 02Pós
Checklist quadro a quadro: mãos, rosto, texto, fundo.
- 03Marca
Produto, cores e tom batem com o aprovado?
- 04Jurídico
Termos, entradas, pessoas reais e aviso de IA.
- 05Registro
Ficha preenchida e arquivada com a peça.
Isso não vira burocracia. Em peças simples, direção e pós conferem juntas, e o jurídico aprova uma política geral uma vez, em vez de peça por peça. O que não se faz é pular etapas por pressa na véspera da publicação. E como as ferramentas mudam o tempo todo, o checklist é da operação, não do gerador — é o argumento de o que o fim do Sora ensina.
Perguntas frequentes
Quais são os erros mais comuns em imagens geradas por IA?
+
Mãos com dedos a mais ou a menos, olhos de tamanhos diferentes, texto inventado, rótulos de produto alterados e objetos ou logotipos que surgem no fundo sem terem sido pedidos.
Posso usar a voz de um locutor gerada por IA num anúncio?
+
Só com autorização expressa da pessoa para aquele uso, com prazo e mídias definidos. Imitar a voz de alguém conhecido sem autorização é um risco jurídico e de reputação.
Preciso avisar que um anúncio foi feito com IA?
+
Depende da política da marca e das regras de cada plataforma. O YouTube pede aviso para conteúdo realista alterado ou gerado de forma significativa. O mais seguro é definir a regra por escrito com o jurídico antes do projeto.
O que registrar quando uma peça usa IA?
+
Em qual etapa a IA entrou, qual ferramenta e plano foram usados, quais materiais de entrada, se há pessoas reais, quem gerou e quem aprovou. Uma ficha de uma página por peça é suficiente.
Fontes
- YouTube Help — Disclosing use of altered or synthetic content (consultado em 27/09/2026) · 27.09.2026
- Google Ads Help — About Asset studio (SynthID; consultado em 27/09/2026) · 27.09.2026
- NBC News — McDonald’s pulls AI-generated Christmas ad after social media backlash · 10.12.2025
- YouTube Blog — Expanding likeness detection to the entertainment industry · 21.04.2026
- TikTok Newsroom — More ways to spot, shape and understand AI-generated content · 19.11.2025
- The Coca-Cola Company — Coca-Cola Refreshes Givers of the Season, Embraces AI-Powered Storytelling in Global Holiday Campaign · 03.11.2025



