Resposta curta
Hoje a IA generativa ajuda em quase todas as etapas: pesquisa e roteiro, moodboards, storyboards e animatics, testes de cenário, limpeza, extensão de cena, versões e localização — e, quando faz sentido, geração de imagem e cena. Na Tangram, ela é parte assumida do processo, com direção humana para decidir o que a imagem comunica e governança sobre rosto, voz, marca e publicação.
Em resumo
- Na Tangram, a IA é parte do processo, não um experimento à parte — sempre com direção e critério humanos.
- O maior ganho está antes do set: ver a ideia cedo e errar barato. Na pós, acelera versões e tarefas repetitivas.
- Imagem bonita não é imagem certa — alguém precisa dizer o que fica.
- Rosto, voz, marca registrada e rotulagem nas plataformas exigem governança escrita antes de publicar.
Onde a IA generativa já ajuda na produção de vídeo?
| Etapa | Uso | Ganho real |
|---|---|---|
| Pesquisa e ideia | Explorar caminhos visuais, variações de conceito | Mais opções antes de decidir |
| Apresentação | Moodboard, storyboard, frames-chave, animatic | Cliente vê a ideia antes do set |
| Pré-produção | Testes de cenário, figurino, luz, paleta | Menos surpresa na locação |
| Pós | Limpeza, extensão de cena, remoção de objetos, upscale | Menos horas em tarefa repetitiva |
| Versões | Adaptações de formato, legendas, variações de texto | Pacotes de peças mais rápidos |
Um uso que costuma ser subestimado é a pesquisa. Imagine um projeto sobre saúde, tema que você nunca tocou: a busca tradicional devolve uma pilha de links e nenhuma pergunta boa. Conversando com a ferramenta e fazendo perguntas em sequência, dá para chegar rápido às perguntas que valem numa entrevista — algo que a busca tradicional não faz tão bem. Com o roteiro escrito, ela também ajuda a revisar a estrutura narrativa.
O padrão comum: a IA rende mais onde o objetivo é ver algo rápido para decidir melhor, e onde o critério de qualidade é claro — uma cena limpa, um céu estendido, um formato adaptado.
Um exemplo nosso: em My Roots Tell the Future, filme imersivo para o telão 360° da BAT Brasil, a IA entrou em duas etapas. Deu movimento ao acervo histórico da companhia — fotografias de mais de um século que precisavam ocupar uma sala inteira — e gerou as imagens do futuro, de satélites à previsão de safra, que nenhuma câmera poderia registrar. O presente continuou sendo captação de campo em 6K e drone, com produtores e orientadores de verdade. A direção decidiu onde cada técnica servia à história.



Filme imersivo de 5'42" para telão 360°: arquivo histórico animado com IA, captação de campo em 6K e drone e imagens do futuro geradas com IA.
Ver o projeto ↗No filme da Tramontina Eletrik, a fábrica, a instalação e a casa foram filmadas de verdade, com produtos reais. A IA entrou num ponto só: a sequência em que a câmera entra no interruptor Onne e atravessa um túnel de energia, com placa, sensor e moldura se separando em camadas. É o tipo de cena que pediria muitos dias de computação gráfica — e que aqui serviu a uma ideia já decidida no roteiro.



Filme de produto captado em fábrica e casa reais; a sequência do túnel de energia dentro do interruptor Onne foi criada com IA na pós.
Ver o projeto ↗Como a Tangram usa IA na produção?
Abertamente, e como parte da operação — não como um laboratório separado. Pense no que já está na bancada de qualquer produtora: editor, software de cor, banco de referências. A IA entra como mais uma ferramenta, com a vantagem de acelerar etapas. A Tangram combina criação humana, processos generativos, animação e captação. Na prática, a IA entra como aceleradora de etapas, em diferentes momentos de diferentes projetos, onde faz sentido: pesquisar e organizar pautas, testar caminhos de roteiro, gerar frames de estudo e animatics, pré-visualizar cenários, acelerar a pós, produzir versões, localizar peças para outros idiomas. Quando a ideia pede, também geramos imagem e cena.
- 01Direção define
O que a peça precisa dizer, o tom e o que não pode aparecer.
- 02IA explora
Pesquisa, variações, frames de estudo, testes de cena.
- 03Equipe decide
Direção e criação escolhem, descartam e ajustam.
- 04Produção executa
Captação, geração e pós, cada uma onde rende mais.
- 05Governança confere
Direitos, rotulagem, registro de ferramentas e aprovação.
O que não muda é quem decide. Toda saída de IA passa por direção, criação e revisão antes de chegar ao cliente, e cada projeto registra que ferramentas foram usadas e com quais materiais de entrada. É o que permite usar a IA com liberdade sem transformar cada peça numa dúvida jurídica.
Como a IA muda a forma de apresentar ideias ao cliente?
Descrever um prato para quem nunca o provou pede imaginação. É o que um storyboard desenhado pede: cada pessoa na sala imagina a luz, a paleta e o enquadramento do seu jeito. Frames gerados com a luz, a paleta e o enquadramento pretendidos mostram a intenção de forma muito mais direta. Um animatic com esses frames dá noção de ritmo antes de qualquer diária. A maior mudança está na conversa com o cliente.
123- 1Direção00:04
Luz quente assim, mas o produto precisa entrar mais cedo.
- 2Cliente00:09
Esse enquadramento é o que queremos no filme?
- 3Produção00:09
Frame é estudo de intenção. Confirmamos na locação.
Resolvido
Isso tem dois lados. A aprovação fica mais segura, porque todo mundo está vendo a mesma coisa. Mas a imagem gerada vira promessa: se o frame mostra um pôr do sol perfeito, alguém vai esperar esse pôr do sol no filme. Por isso vale deixar claro o que é referência de intenção e o que é compromisso de produção.
Em que etapas a IA ainda não é confiável?
Pense em achar a mesma pessoa em todas as fotos de uma festa: a luz muda, o ângulo muda, e ela parece outra. Manter o mesmo rosto, o mesmo produto e a mesma luz ao longo de vários planos é o problema mais visível da IA, e ainda exige muita correção. Produto é o caso mais sensível — um rótulo errado, uma proporção alterada ou um logotipo deformado não passam em nenhuma aprovação de marca.
Informação também pede conferência. As ferramentas ainda inventam dados e links — pede-se uma fonte, chega-se a uma página que não existe. Tudo que vira afirmação num roteiro ou numa peça precisa ser checado na fonte original.
Também não dá para confiar em interpretação. Atuação, timing de humor e a sutileza de uma fala dependem de pessoas em frente à câmera e de direção. A ferramenta produz algo plausível; plausível raramente é suficiente para um filme de marca.
O que fazer quando a imagem é bonita, mas não é a ideia?
Você pede uma imagem e a ferramenta devolve algo lindo, mas de outro projeto. É o que mais acontece: uma imagem impressionante que resolve outro problema — mais dramática, mais genérica, com a cara de outras mil imagens. A tentação é aceitar porque é bonita.
O trabalho de direção é voltar à pergunta do briefing: o que essa imagem precisa comunicar? Se ela não responde, não serve, mesmo que seja a melhor do lote. Muitas vezes a solução é descartar e reescrever o pedido a partir da intenção, não da estética.
A ferramenta produz algo plausível. Um filme de marca precisa de algo decidido.
Que cuidados a marca precisa ter ao publicar peças com IA?
- Rosto e voz: não gerar nem alterar pessoa real sem autorização expressa para aquele uso.
- Marca de terceiros: conferir se não surgiram logotipos, embalagens ou personagens protegidos na imagem.
- Termos das ferramentas: verificar se o uso comercial é permitido e quem detém os direitos sobre o resultado.
- Transparência: definir quando a peça precisa informar o uso de IA, conforme a política da marca e as regras da plataforma. No YouTube, por exemplo, é obrigatório declarar conteúdo realista gerado ou alterado — uma pessoa real dizendo o que não disse, um lugar ou evento real modificado —, enquanto o uso de IA para roteiro, ideias ou legendas não exige aviso.
- Registro: guardar quais ferramentas e quais materiais de entrada foram usados em cada peça.
Ninguém pergunta sobre alergia depois de servir o prato. Com IA é igual: esse é um ponto para alinhar com o jurídico da marca antes do projeto começar, não na véspera da publicação. Uma política curta, escrita, evita discussões caso a caso.
A IA vai baratear a produção?
É como o forno que pré-aquece mais rápido: o bolo ainda depende de quem faz. Algumas etapas ficam mais rápidas — estudo, apresentação, parte da pós. Isso reduz horas e, principalmente, reduz o risco de descobrir no set que a ideia não funcionava. Mas a equipe de set, o elenco, a locação e a direção continuam existindo nos projetos que dependem de imagem real.
Existe também o custo de não aprender. Adiar o uso dessas ferramentas por falta de tempo costuma sair mais caro: o tempo volta a ser gasto fazendo à mão o que poderia ser acelerado. Por isso, na Tangram, a IA entra no fluxo de todo projeto em que ela ajuda — e não só quando o cliente pede.
O efeito mais comum não é um orçamento menor para a mesma coisa. É mais exploração pelo mesmo investimento: mais caminhos testados antes de decidir, mais versões no pacote final, e projetos que antes não caberiam no prazo passando a caber.
Perguntas frequentes
A IA substitui a produtora de vídeo?
+
Não. Ela muda etapas do processo — pesquisa, estudo, apresentação, pós, versões e, em alguns casos, a própria geração de imagem. Quem define o que a peça diz, dirige pessoas e produtos reais e responde pelo resultado continua sendo a equipe.
A Tangram usa IA nos projetos?
+
Sim, abertamente. A IA é uma aceleradora de etapas dentro do nosso processo e entra onde faz sentido em cada projeto — pesquisa, roteiro, pré-visualização, versões, pós, localização. Quando esse é o propósito, entregamos peças inteiramente geradas. Sempre com direção humana, revisão de continuidade e arquivo das gerações aprovadas.
Posso usar storyboard gerado por IA para aprovar um filme?
+
Pode, desde que fique claro que os frames são estudos de intenção. Eles ajudam o cliente a visualizar enquadramento, luz e ritmo, mas não garantem que cada detalhe será igual no filme.
É preciso avisar que uma peça usou IA?
+
Depende da política da marca, do tipo de uso e das regras de cada plataforma. O mais seguro é definir isso por escrito com o jurídico antes do projeto e registrar as ferramentas usadas.



