01 / O ponto de vistaO protagonista não é a marca
Logo depois da tragédia, a Sicredi Serrana procurou a Tangram para documentar a mobilização, o resgate e a reconstrução na sua área de atuação. A premissa foi definida desde o briefing: contar a história a partir dos associados e das entidades locais, com a cooperativa no papel de conexão e estrutura para movimentos que a própria comunidade já tinha começado.
O tom também foi uma escolha: nada de lamento. O filme reconhece a dimensão da perda e abre com os números da catástrofe em tela, mas se concentra em ação, união e futuro.
02 / Pesquisa e roteiroTrês movimentos: impacto, força e união
Antes de filmar, houve meses de pesquisa de personagens, com indicações de gerentes e da diretoria de negócios da cooperativa, até chegar a um mosaico de vozes: presidentes de CIC e CDL, o comandante do Corpo de Bombeiros de Veranópolis, prefeitos, gerentes de agência, a diretora de uma escola de São Sebastião do Caí, um produtor rural de Tuiuty, os trilheiros do Unidos por Bento e Neuri Pasqualetto, do Aeroclube de Garibaldi.
O roteiro organiza essas vozes em três movimentos. A nossa história trata da emergência e das primeiras ações. A nossa força mostra a mobilização, das agências à logística aérea. A nossa união fala de legado e de retomada, com escolas cheias de cor onde meses antes havia lama, estradas em obra e lavouras produzindo de novo.
03 / No territórioDa Serra ao Vale do Caí
As captações começaram no segundo semestre de 2024, com o aeroclube e os trilheiros, e se concentraram em março de 2025 em Faria Lemos, Veranópolis e Coronel Pilar, além de Bento Gonçalves, Garibaldi e São Sebastião do Caí. Em Faria Lemos, a equipe voltou ao salão comunitário que serviu de base para os resgates e deixou a reconstituição da chegada acontecer naturalmente, antes de qualquer interferência.
A linguagem visual alterna depoimentos íntimos, com enquadramentos próximos, luz suave e silhuetas, e imagens aéreas de drone que mostram a escala do que aconteceu: encostas rasgadas por deslizamentos, pontes sobre rios barrentos, casas reduzidas a paredes e escadas que não levam a lugar nenhum.